Ópera

QUI 16/07/2020 às 16h
João Guilherme Ripper
Flávia Furtado
João Luiz Sampaio
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Os desafios da ópera, que vivia seu melhor momento no país pré pandemia e tem musculatura para se institucionalizar de vez no Brasil

Festivais consistentes como os de Manaus (AM) e Belém (PA) constituem as vigas mestras de um movimento que transformou a ópera no Brasil dos últimos 25 anos. Privilegiados pela continuidade de gestão em seus comandos, ambos construíram uma institucionalização do gênero – e consequente legitimação social – que os levou a serem abraçados pelas cidades que os sediam e atrair o turismo internacional qualificado.

É isso que falta para os cerca de 90 teatros que possuem condições de receber óperas no país, segundo pesquisa recente da Academia Brasileira de Música, conforme revelou seu presidente, o compositor e também diretor da Sala Cecília Meirelles João Guilherme Ripper, na live de 16 de julho, no canal do YouTube da Memória da Eletricidade, dentro da série “Arte e Cultura em busca de uma reinvenção permanente”, que se estenderá até setembro, construindo um amplo painel do setor no país – hoje e no Brasil pós-pandemia.

O jornalista e crítico musical João Luiz Sampaio mediou a conversa entre Ripper e Flávia Furtado, diretora-executiva do Festival Amazonas. As conclusões foram sendo costuradas de modo positivo para a ópera: temos repertório brasileiro robusto; novas gerações de cantoras e cantores talentosos; centrais técnicas capazes de suprir montagens de alto nível; além de encenadores, figurinistas, músicos e diretores musicais capacitados.

O que falta? A efetiva criação, disse Flávia, de um intercâmbio entre as várias casas de óperas no país. “Hoje temos condições plenas de levar óperas brasileiras para teatros de outros países”. É só querer.

Num momento tão difícil para todos os brasileiros, foi uma surpresa positiva o balanço otimista e a certeza de que o setor conseguirá atravessar estes tempos turbulentos e institucionalizar-se de vez no país.

A série #CulturaeMemória

Durante a vigência das medidas de isolamento social, as artes e a cultura assumiram um espaço significativo nas nossas vidas - as tecnologias digitais e de rede quebraram o último portal que separava os espectadores, leitores e alunos das manifestações artísticas. 

Mas, nesse processo, quais mudanças de paradigmas na nossa relação com as artes foram operadas? E, indo além, como acontecerão os concertos, peças de teatro, e exibições de filmes ao final do isolamento social? 

Para pensar sobre esses temas, a série Arte & cultura em busca de uma reinvenção permanente, com a curadoria de João Marcos Coelho, trouxe especialistas nos temas para refletirmos juntos, em 10 episódios, sobre esses caminhos e possibilidades.