Um precioso documento sobre o Velho Chico

Biblioteca do Acervo

Luiz H. Romanholli
Consultor de conteúdo

Jornalista formado pela Escola de Comunicação da UFRJ, foi repórter e subeditor do caderno de cultura do Globo (RJ), além de editor-adjunto de Esportes e editor do suplemento de carros do mesmo jornal. Numa segunda passagem pelo Globo, exerceu a função de gerente de produtos, negócios e projetos especiais. Na Globo.com e TV Globo, foi gerente de conteúdo/editor-chefe dos sites GloboEsporte.com, Big Brother Brasil, Ego e dos programas de entretenimento da emissora (Projac). Na Memória da Eletricidade, é editor do site e consultor.

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O "Atlas e relatório concernente à exploração do Rio de S. Francisco desde a cachoeira da Pirapora até o Oceano Atlântico" é um dos itens de destaque do Acervo da Memória da Eletricidade. Publicado originalmente em 1860 pela Lithografia Imperial, é resultado de uma expedição de levantamento encomendada pelo imperador Dom Pedro II ao engenheiro civil Henrique Guilherme Fernando Halfeld. Entre 1852 e 1854, Halfeld, alemão naturalizado brasileiro, percorreu 2,1 mil quilômetros dos 2,8 mil que totalizam a extensão do Rio São Francisco, um trecho entre a cidade de Pirapora (MG) e a foz, no Oceano Atlântico, localizada entre os estados de Alagoas e Sergipe. O objetivo era obter informações sobre as condições de navegabilidade e também a respeito das áreas inundadas pelas enchentes. Integrantes do governo imperial conheciam pouco o "Velho Chico" – nome carinhoso que o rio ganharia posteriormente – e o imaginavam sempre calmo e propício à navegação a vapor.

Henrique Guilherme Fernando Halfeld nasceu em Hanover, Alemanha, em 1797. Depois de lutar contra as tropas de Napoleão na Batalha de Waterloo, formou-se em engenharia. Em 1825, mudou-se para o Brasil para fazer trabalhos técnicos e científicos e para integrar o Imperial Corpo de Estrangeiros do Exército Brasileiro, criado por Dom Pedro II. Em 1836, foi nomeado "Engenheiro da Província de Minas Gerais", passando a morar em Ouro Preto. (MG). Mais tarde, instalado em Santo Antônio de Paraibuna (MG, atual Juiz de Fora), comprou terras ricas em minério. Teve papel importante na construção de estradas, particularmente na região de Minas Gerais. Foi eleito vereador por três mandatos na cidade de Juiz de Fora (MG), da qual é considerado um dos fundadores. Teve três esposas e 16 filhos. Morreu aos 79, em Juiz de Fora, vitimado por um tiro acidental disparado enquanto limpava uma arma.

Em reportagem do jornalista Carlos Fioravanti, publicada na edição 248 (outubro de 2016) da revista "Pesquisa", da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Jorge Pimentel Cintra, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) descreve o Atlas encomendado pelo imperador como “mapas de estudo ou projeto de viabilidade, que serviram para estimar custos de obras". E acrescenta que “os mapas não possuem coordenadas geográficas, o que encareceria a obra e não se justificava nessa fase, além de torná-la mais demorada, mas estão em escala rigorosa, orientam-se pelo norte verdadeiro e cumprem bem a função de representação, o importante nessa fase de estudo.” Na mesma publicação, o historiador Gabriel Oliveira, autor de um estudo (2015) sobre o São Francisco para a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) explica que “o São Francisco era um rio estratégico para o Império, por ser capaz de integrar as províncias do Sul, especialmente Minas Gerais e Rio de Janeiro, com as do Norte, sobretudo Bahia e Pernambuco”.

O trecho entre a nascente do São Francisco e a cidade de Pirapora, que ficara fora do levantamento de Hlafeld foi mapeado pelo astrônomo francês Emmanuel Liais. No final do século XIX, o engenheiro baiano Theodoro Sampaio fez o caminho inverso, da foz a Pirapora. Mas o plano de tornar o Rio São Francisco uma hidrovia de tráfego intenso nunca chegou a ser plenamente realizado.



Luiz H. Romanholli
Consultor de conteúdo

Jornalista formado pela Escola de Comunicação da UFRJ, foi repórter e subeditor do caderno de cultura do Globo (RJ), além de editor-adjunto de Esportes e editor do suplemento de carros do mesmo jornal. Numa segunda passagem pelo Globo, exerceu a função de gerente de produtos, negócios e projetos especiais. Na Globo.com e TV Globo, foi gerente de conteúdo/editor-chefe dos sites GloboEsporte.com, Big Brother Brasil, Ego e dos programas de entretenimento da emissora (Projac). Na Memória da Eletricidade, é editor do site e consultor.