Personalidades do Setor
John Reginald Cotrim
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Nome
John Reginald Cotrim
Nome para referências
Cotrim, John R. (John Reginald), 1915-1996
Nascimento
1915-01-10
Falecimento
1996-01-08
Verbete

John Reginald Cotrim, Vice-Presidente e diretor-técnico da Cemig; presidente de Furnas; diretor técnico da Itaipu Binacional.

John Reginald Cotrim nasceu em Manchester, Inglaterra, no dia 10 de janeiro de 1915. Tornou-se brasileiro nato com base na Constituição de 1891. Formou-se engenheiro civil em 1936 pela Escola Politécnica, depois transformada na Escola de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Iniciou suas atividades profissionais ainda estudante, como calculista de concreto armado para empresas especializadas. Em 1937 ingressou como engenheiro na Companhia Auxiliar de Empresas Elétricas Brasileiras (Caeeb), empresa do grupo norte-americano American & Foreign Power Company (Amforp). Em 1942 foi para os Estados Unidos onde cumpriu um período de estágio na Electric Bond & Share Corporation (Ebasco), em coordenação e operação de sistemas interligados. De 1943 a 1944 atuou na coordenação dos sistemas elétricos do Noroeste daquele país. Nesse último ano retornou ao Brasil e em 1947 tornou-se colaborador dos trabalhos da Comissão Especial do Plano Nacional de Eletrificação do Conselho Federal de Comércio Exterior (CFCE).

No ano seguinte passou a integrar o grupo chefiado pelo engenheiro Lucas Lopes responsável pela elaboração do Plano de Eletrificação de Minas Gerais, permanecendo no mesmo até 1950. Ainda em 1948 tornou-se consultor-técnico da Comissão do Vale do São Francisco (CVSF), órgão supra-ministerial diretamente vinculado à Presidência da República que tinha por finalidade promover o desenvolvimento da região do vale do rio São Francisco, função que exerceria até 1951. Nesse ano, juntamente com os engenheiros Mauro Thibau, Lucas Lopes, Flávio Henrique Lyra da Silva e Mario Penna Bhering, e com Júlio Soares, participou da organização da Centrais Elétricas de Minas Gerais S.A. (Cemig). Tornou-se vice-presidente e diretor-técnico dessa empresa, tendo exercido essas funções até 1957. Durante esse período integrou a delegação brasileira à Conferência Mundial de Energia realizada em 1954 no Hotel Quitandinha, em Petrópolis (RJ), e, no ano seguinte, fez viagem aos EUA para estudos do estágio de aplicação da energia nuclear à produção de eletricidade. De 1955 a 1956 integrou o Conselho Diretivo e Coordenador Geral dos Trabalhos do Plano de Eletrificação de São Paulo. Nesse último ano passou a integrar o Conselho de Desenvolvimento e foi chefe de Planejamento da "Meta de Energia Elétrica" do governo federal, o qual teria dentre seus resultados a construção da Usina Hidrelétrica Furnas e da Usina Hidrelétrica Três Marias. Também integrou e foi coordenador dos grupos de trabalho designados pelo presidente da República Juscelino Kubitschek de Oliveira (1956-1961) para revisão da legislação sobre energia elétrica e atualização do Plano Nacional de Eletrificação. Ainda em 1956 integrou a delegação brasileira à Conferência Mundial de Energia realizada em Viena, na Áustria.

Foi um dos fundadores, em 28 de fevereiro de 1957, da Central Elétrica de Furnas S. A. (Furnas) - depois denominada Furnas Centrais Elétricas S. A. (Furnas) - , e tornou-se o primeiro presidente dessa empresa. No mesmo ano passou a integrar o Conselho de Administração da Cemig, no qual permaneceria até 1978. Durante sua gestão em Furnas foram construídas a Usina Hidrelétrica Furnas, a Usina Hidrelétrica Estreito, a Usina Hidrelétrica Porto Colômbia e a Usina Hidrelétrica Marimbondo, em Minas Gerais, a Usina Hidrelétrica Itumbiara, em Goiás, a Usina Hidrelétrica Funil e a Usina Termelétrica Santa Cruz, no Rio de Janeiro, e foi iniciada a construção da Usina Termonuclear Angra I, integrante da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, em Angra dos Reis (RJ). Juntas, essas unidades passariam a gerar cerca de 7.500 MW, cerca de 70% da potência instalada na empresa. John Cotrim foi também responsável pela construção de uma rede de linhas de transmissão de 5.500 quilômetros de extensão, cobrindo parte importante da Região Sudeste do país. Em 1962 integrou a delegação brasileira à reunião da Conferência Mundial de Grandes Barragens realizada na Rússia e visitou as grandes obras hidrelétricas desse país. No ano seguinte, foi eleito presidente do Comitê Coordenador dos Estudos Energéticos da Região Centro-Sul, encarregado do levantamento dos recursos hidrelétricos dessa região e cujos resultados seriam apresentados no Relatório Canambra, em 1966. Ainda em 1962 foi eleito presidente do Comitê Brasileiro do Conselho Mundial de Energia (CBCME), cargo que exerceria até 1985. Em 1965 passou a integrar o Conselho de Administração da Centrais Elétricas Brasileiras S. A. (Eletrobrás), no qual permaneceria até 1978. Em junho de 1966 integrou a delegação brasileira que negociou o acordo Brasil-Paraguai relativo ao aproveitamento do potencial hidrelétrico do rio Paraná entre o Salto de Sete Quedas e a foz do rio Iguaçu. Esse acordo ficou conhecido como Ata de Iguaçu ou Ata das Cataratas e através dele ficaram estabelecidos os princípios de direito internacional, entre eles o do condomínio brasileiro-paraguaio sobre o Salto de Sete Quedas, que serviram de base para a construção da Usina Hidrelétrica Itaipu.

De 1970 a 1973 foi vice-presidente do Conselho Executivo Internacional da Conferência Mundial de Energia e a partir desse último ano tornou-se vice-presidente honorário do mesmo conselho. Em 26 de abril de 1974 renunciou à Presidência de Furnas, tendo sido substituído por Luiz Cláudio de Almeida Magalhães. No mês seguinte assumiu o cargo de diretor-técnico da Itaipu Binacional. Nessa função, conduziu o Projeto de Itaipu, acompanhou a execução das obras e a implantação da estrutura operacional da Usina Hidrelétrica Itaipu. De 1977 a 1979 integrou a delegação brasileira nas negociações tripartites entre Brasil, Paraguai e Argentina sobre os aproveitamentos hidrelétricos de Itaipu e Corpus, no rio Paraná. Permaneceu no cargo de diretor-técnico da Itaipu Binacional até 1985, quando se tornou consultor dessa empresa, função que exerceria até o fim da vida. Durante esse período integrou o Conselho de Administração da Light - Serviços de Eletricidade S.A. (Light) e foi consultor do Conselho para Assuntos de Energia (Coase) da Confederação Nacional da Indústria (CNI). De 1987 a 1989 foi membro do comitê executivo e do grupo de trabalho "Organização" da Revisão Institucional do Setor Elétrico (Revise), consultor e membro do Conselho de Administração da Iesa - Internacional de Engenharia S.A., membro do Conselho Consultivo do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel) e do Conselho Consultivo do Centro da Memória da Eletricidade no Brasil - Memória da Eletricidade. De abril de 1989 a maio de 1992 foi consultor da Enge-Rio - Engenharia e Consultoria S. A. e de janeiro de 1991 a abril de 1993 integrou o Conselho de Administração da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf). Em abril de 1991 foi eleito membro da Academia Nacional de Engenharia (ANE). Em junho do ano seguinte tornou-se consultor da Enerconsult Engenharia Ltda. Faleceu no Rio de Janeiro (RJ) no dia 8 de janeiro de 1996.

Trajetória profissional

Itaipu Binacional

Cargo: Diretor-Técnico da Itaipu Binacional

Início: 1974

Término: 1985

Furnas Centrais Elétricas S.A.

Cargo: Presidente de Furnas

Início: 1957

Término: 1974

Centrais Elétricas de Minas Gerais S.A.

Cargo: Vice-Presidente da Cemig

Início: 1951

Término: 1957

Centrais Elétricas de Minas Gerais S.A.

Cargo: Diretor-Técnico da Cemig

Início: 1951

Término: 1957

Formação Acadêmica
  • Curso: Engenharia Civil, na Escola Politécnica-RJ, Rio de Janeiro-DF, 1936
Local de nascimento
Manchester-Inglaterra
Local de falecimento
Rio de Janeiro-RJ