Personalidade do Setor
Mario Bhering
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Nome
Mario Bhering
Nome para referências
Bhering, Mario Penna, 1922-2009
Data
24/05/1922 – 01/09/2009
Verbete

Mario Penna Bhering, Diretor comercial, vice-presidente e presidente da Cemig; diretor de Furnas; presidente da Eletrobrás; presidente da Memória da Eletricidade

Mario Penna Bhering nasceu em Belo Horizonte (MG) no dia 24 de maio de 1922. Formou-se pela Escola Nacional de Engenharia da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em 1945, realizando em seguida uma viagem de estudos aos Estados Unidos. Retornou ao Brasil dois anos depois, trabalhando junto à representação da Allis Chalmers, fabricante norte-americana de equipamentos hidráulicos e elétricos.

Em 1951, no primeiro ano do governo Juscelino Kubitschek em Minas Gerais, integrou o grupo responsável pela formulação do programa de energia elétrica da nova administração estadual. Participou do processo de constituição da Centrais Elétricas de Minas Gerais (Cemig), mais tarde transformada em Companhia Energética de Minas Gerais, assumindo o cargo de diretor comercial da empresa, por ocasião de sua fundação em maio de 1952. Coordenou as negociações com o Banco Mundial (Bird), o Export-Import Bank (Eximbank) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para a concessão de empréstimos relacionados à construção das hidrelétricas de Itutinga e Camargos e à montagem dos sistemas de transmissão e distribuição de energia elétrica da concessionária mineira.

Vice-presidente da Cemig entre 1955 e 1964, liderou o processo de contratação de empréstimos e créditos para a compra dos equipamentos da hidrelétrica de Três Marias, oficialmente denominada Usina Hidrelétrica Bernardo Mascarenhas. Entre 1960 e 1965, a par de suas funções na Cemig, integrou a diretoria da Central Elétrica de Furnas S. A., empresa federal criada em 1957 que, mais tarde, mudaria sua denominação para Furnas Centrais Elétricas S.A.

Por seu intermédio, a Cemig tomou conhecimento em 1961 da possibilidade de obter recursos da Organização das Nações Unidas (ONU) para o estudo do potencial energético de Minas Gerais, tendo em vista o planejamento ordenado da expansão do sistema elétrico da empresa. Por sugestão do Banco Mundial, o levantamento acabaria abrangendo as demais bacias hidrográficas da região Sudeste, com a participação de técnicos norte-americanos e canadenses do consórcio Canambra Engineering Consultants Limited.

Além do início dos estudos energéticos da região Sudeste, o ano de 1962 também foi marcado pela constituição da Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobras) como empresa holding e agente executivo da política setorial do governo federal. Segundo depoimento do engenheiro Paulo Richer, primeiro presidente da Eletrobras, a constituição da empresa contou com a importante participação de vários técnicos da Cemig cedidos por Mario Bhering.

Vice-presidente do Comitê Brasileiro à Conferência Mundial de Energia entre 1964 e 1968, ocupou interinamente a presidência da Cemig de julho a outubro de 1965. Foi efetivado no cargo no ano seguinte, em substituição a Celso Melo de Azevedo. Entre outras realizações, sua gestão foi responsável pela incorporação da Companhia Sul Mineira de Eletricidade (CSME) e pela inauguração de linhas de transmissão em direção à região Noroeste do estado.

Em março de 1967, assumiu a presidência da Eletrobras, em substituição ao engenheiro Octávio Marcondes Ferraz, sendo sucedido na Cemig pelo engenheiro João Camilo Penna. De 1967 a 1969, também presidiu a Comissão de Integração Elétrica Regional (Cier). A primeira gestão de Mario Bhering na Eletrobras durou oito anos, estendendo-se pelos governos dos generais Arthur da Costa e Silva (1967-1969), Emílio Garrastazu Médici (1969-1974) e Ernesto Geisel (1974-1979). Durante este período, a empresa consolidou-se como órgão encarregado do planejamento e da coordenação da expansão do sistema elétrico do país. Beneficiada pelo ciclo de crescimento econômico conhecido como "milagre brasileiro", a Eletrobras tornou-se a principal agência de financiamento do setor, ampliando consideravelmente seus investimentos e sua atuação na geração de energia.

A composição da holding federal sofreu importantes mudanças. Além de Furnas e da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), a empresa passou a contar com duas novas subsidiárias de âmbito regional: a Centrais Elétricas do Sul do Brasil S.A. (Eletrosul) - atualmente denominada Eletrosul Centrais Elétricas S.A. - e a Centrais Elétricas do Norte do Brasil S.A. (Eletronorte), criadas em 1968 e 1973, respectivamente. Em contrapartida, quase todas as empresas da American & Foreign Power Company (Amforp) adquiridas pelo governo federal em 1964 foram transferidas para o controle das concessionárias estaduais, excetuando-se a empresa distribuidora do Espírito Santo, que permaneceu no sistema da Eletrobras.

Mario Bhering também foi um dos principais idealizadores do empreendimento binacional de Itaipu, tendo participado dos entendimentos com culminaram com a assinatura do Tratado de Itaipu pelos governos do Brasil e do Paraguai, em abril de 1973, e a constituição da Itaipu Binacional, em maio do ano seguinte.

Outros marcos importantes de sua primeira gestão na presidência da Eletrobras foram o avanço do processo de unificação da freqüência no padrão de 60 hertz, o esforço pioneiro de reconhecimento do potencial energético da Amazônia, a organização do Grupos Coordenadores para Operação Interligada (GCOI), a criação do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica (Cepel) e a elaboração do plano de expansão de longo prazo dos sistemas elétricos interligados das regiões Sudeste e Sul, conhecido como Plano 90.

Em novembro de 1975, renunciou à presidência da Eletrobras por divergências com o ministro de Minas e Energia, Shigeaki Ueki, relacionadas ao programa de desenvolvimento nuclear formulado pelo governo Geisel em cooperação com a República Federal da Alemanha. Firmado em junho de 1975, o Acordo Nuclear Brasil-Alemanha previu a implantação de uma indústria nuclear integrada no país e a instalação de oito centrais nucleares até 1990. Cumpre ressaltar que o Plano 90 da Eletrobras recomendara efetivamente a instalação de apenas duas usinas nucleares, além da central de Angra I, já em fase de construção. Mario Bhering foi substituído no comando da holding federal por Antônio Carlos Peixoto de Magalhães, que acabara de cumprir seu primeiro mandato como governador da Bahia.

Entre 1977 e 1983, sob orientação do presidente de Itaipu Binacional, general José Costa Cavalcanti, participou da execução das obras da usina, da política de suprimentos e das negociações com os dirigentes paraguaios, representados por Enzo Debernardi. Também no mesmo período, representou o Brasil nas negociações tripartites com a Argentina e o Paraguai, visando a definição das características técnicas do projeto do aproveitamento hidrelétrico de Corpus, na fronteira entre Argentina e Paraguai, e do regime hidráulico a jusante de Itaipu.

Em março de 1983, depois de ter atuado no BID como consultor do governo do Peru (1981-1982), assumiu novamente a presidência da Cemig a convite do governador mineiro Tancredo Neves. Em sua nova gestão deu-se a transformação da Cemig em companhia energética. Sua segunda passagem pela companhia foi marcada pela execução de um amplo programa de eletrificação rural e urbana no estado, pelo estímulo aos projetos de conservação do meio ambiente e de incorporação de novas fontes de energia, como a gaseificação de biomassas. Em abril de 1985, deixou a direção da Cemig para novamente ocupar a presidência da Eletrobras. Sucedendo a José Costa Cavalcanti, foi substituído na empresa mineira por Guy Villela Pascoal.

Presidente da Eletrobras durante quase todo o governo José Sarney (1985-1990), teve sua administração dificultada pela grave crise econômica vivida pelo país no período, não conseguindo levar a bom termo o Plano de Recuperação do Setor de Energia Elétrica (PRS), elaborado no primeiro ano de sua gestão. De todo modo, foram praticamente concluídas as obras da usina de Itaipu e da primeira etapa do aproveitamento hidrelétrico de Tucuruí, bem como iniciada a construção da hidrelétrica de Xingó. Tal como fizera na Cemig, deu especial atenção aos problemas ambientais, que passaram a merecer tratamento sistemático nos projetos e estudos da holding.

Foi o principal idealizador do Centro da Memória da Eletricidade no Brasil - Memória da Eletricidade, tornando-se seu presidente-fundador em 1986. Nesse mesmo ano, passou a atuar como consultor da diretoria do grupo Tratex-Rural/Servix.

Deixou a presidência da Eletrobras em junho de 1990, no início do governo Fernando Collor de Mello, transmitindo o cargo a José Maria Siqueira de Barros. Em 1992, reassumiu a presidência da Memória da Eletricidade. Entre 1994 e 2006, atuou também como diretor e consultor da BFB Engenharia e Consultoria Ltda.

A par de suas atividades no setor de energia elétrica, dedicou-se à prática artística, em especial a produção de aquarelas, tendo realizado exposições em várias cidades brasileiras. Sua obra artística foi retratada em Mario Bhering: a história da aquarela (2005), de autoria da historiadora Cristina Ávila.

Sobre sua trajetória profissional, foi publicado Mario Bhering: memória do setor elétrico brasileiro (2006), organizado pelo jornalista Alexandre Falcão.

Biografia atualizada por Paulo Brandi no ano de 2008. Mario Bhering faleceu em Belo Horizonte no dia 01 de setembro de 2009.

Trajetória profissional

Presidente da Memória da Eletricidade

Início: 1986 Término:

Presidente da Eletrobras

Início: 1985 Término: 1990

Presidente da Cemig

Início: 1983 Término: 1985

Presidente da Eletrobras

Início: 1967 Término: 1975

Presidente da Cemig

Início: 1964 Término: 1967

Diretor de Furnas

Início: 1960 Término: 1965

Vice-presidente da Cemig

Início: 1955 Término: 1964

Diretor Comercial da Cemig

Início: 1952 Término: 1955

Formação Acadêmica

Curso: Engenharia Civil

Instituição: Escola Nacional de Engenharia

Local: Rio de Janeiro (RJ)

Ano: 1945

Local de nascimento
Belo Horizonte (MG)