Comunidade de município do estado do Rio de Janeiro terá parque de geração de energia solar
Placas solares foram instaladas no Morro do Boa Vista, na região central de Niterói. Foto: Divulgação/Leonardo Simplício
Uma comunidade de Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, está prestes a receber um parque de geração de energia solar com 3.400 painéis fotovoltaicos e capacidade instalada de 1,5 MW. Em fase final de implantação, a usina deverá gerar cerca de 150 mil kWh de energia por mês.
Segundo a Prefeitura de Niterói, toda a energia produzida será destinada ao abastecimento de equipamentos públicos, contribuindo para a redução dos gastos com energia elétrica. O Parque Solar do Morro do Boa Vista, localizado na região central do município, é coordenado pela Secretaria Municipal de Proteção e Defesa Civil.
Em entrevista à Memória da Eletricidade, o secretário da pasta, coronel Walace Medeiros, explicou que o projeto nasceu da necessidade de enfrentar dois problemas históricos da região: os incêndios em áreas de vegetação e os deslizamentos de encostas, além de promover uma ocupação mais segura do território.
"Técnicos identificaram que a área apresentava alta vulnerabilidade ambiental e, ao mesmo tempo, reunia condições favoráveis para a geração de energia solar, especialmente pela elevada incidência de sol em uma das encostas. Além de produzir energia renovável, a implantação da usina cria uma espécie de aceiro permanente, uma faixa de proteção que dificulta a propagação de incêndios na vegetação, e incorpora soluções de drenagem para disciplinar o escoamento das águas pluviais", explica Medeiros.
O parque ocupa uma área de 36 mil m² e representa o principal resultado do Projeto Encosta Verde, iniciativa de resiliência climática que busca transformar encostas vulneráveis em parques solares e áreas de reflorestamento. A proposta foi desenvolvida a partir do diálogo com moradores de cinco comunidades da região, incluindo o Morro do Boa Vista.
Coronel Walace Medeiros, secretário de Proteção e Defesa Civil, está à frente da iniciativa. Foto: Divulgação
Segundo Medeiros, o diferencial do projeto está na integração entre geração de energia limpa, adaptação climática e recuperação ambiental.
“Consideramos o projeto singular por combinar geração de energia limpa em uma área de favela com ações concretas de mitigação de riscos de desastres naturais e valorização territorial. Além dos benefícios ambientais inerentes à energia solar, como a substituição de fontes mais poluentes de geração energética e a contribuição para metas de sustentabilidade, o Encosta Verde permitirá a recuperação ambiental de uma área degradada, favorecendo a revegetação, a melhoria do microclima local e a qualidade do ar da região”, destaca Medeiros.
O projeto também prevê a instalação de dois reservatórios para captação de águas pluviais, com capacidade total de 30 mil litros. A água armazenada poderá ser utilizada na limpeza dos painéis fotovoltaicos, na irrigação das áreas reflorestadas e no combate inicial a eventuais focos de incêndio. Além disso, serão implantadas canaletas para direcionar adequadamente o escoamento das águas da chuva.
A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla da Prefeitura de Niterói para ampliar o uso da energia solar. Estudos para instalação de sistemas fotovoltaicos em prédios públicos e em outras áreas com potencial de geração também estão em andamento.
Segundo Medeiros, o projeto tem despertado o interesse de gestores públicos brasileiros e de representantes de governos estrangeiros. A iniciativa vem sendo vista como uma referência pela integração entre sustentabilidade, redução de riscos, qualificação urbana e participação popular", afirma.
O investimento total no Parque Solar do Morro do Boa Vista é de aproximadamente R$ 10 milhões. A expectativa é que a usina proporcione uma economia anual de cerca de R$ 1,6 milhão nas contas públicas.
