Exposição virtual reúne imagens raras do processo de urbanização e eletrificação do Rio de Janeiro

Mostra da Memória da Eletricidade, realizada em parceria com a Light, destaca como a luz elétrica contribuiu para as transformações urbanas
27/02/2026

Inauguração do bonde elétrico Cascadura-Madureira, com o então presidente Juscelino Kubitschek. Foto: Acervo Light

A Memória da Eletricidade lançou a exposição “A energia que iluminou o cotidiano: imagens e memórias do Rio de Janeiro” na plataforma Google  Arts  & Culture, um extenso museu virtual. Por meio de fotografias raras de Augusto Malta — responsável pelos principais registros do período de modernização do Rio — presentes no acervo da Light, o visitante relembra o processo histórico de urbanização e eletrificação da cidade, conduzido ao longo do Séc. XX.

Dividida em sete blocos, com 33 imagens ao todo, a mostra, organizada em parceria com a concessionária de energia, traça uma linha do tempo de 1880 a 1980, destacando como a reestruturação e, consequentemente, a chegada da luz elétrica contribuiu para a transformação do espaço urbano, da mobilidade, da iluminação pública e doméstica e dos hábitos culturais dos cariocas. Uma das intervenções mais marcantes foi a Reforma Pereira Passos (1903-1906), realizada no Centro da cidade, que, com objetivo de tornar o Rio uma “Paris Tropical”, abriu a Avenida Central (atual Rio Branco), alargou ruas, demoliu os antigos cortiços e construiu edifícios, expulsando os moradores da região.

A partir desse momento, conforme mostram as imagens, postes, cabos, bondes elétricos e transformadores passaram a compor a paisagem urbana. Nos anos seguintes, as reformas começaram a avançar para alguns bairros próximos do Centro, integrados, justamente, pelos bondes elétricos, que se tornaram os principais meios de transporte do período.

Bonde elétrico atravessando a Av. Nossa Senhora de Copacabana. Foto: Acervo Light

Para o historiador Marcus Dezemone, professor de História do Brasil República na UFF e na UERJ, um dos fatores que mais aceleraram a urbanização no Rio de Janeiro foi a noção de que era preciso modernizar a cidade, ao procurar acabar com os traços do período colonial que o Rio ainda conservava, associados a uma percepção negativa da capital da República quando comparada a outras cidades da América do Sul.

“No fim do Séc. XIX, a eletricidade é vista como símbolo de progresso, das mudanças materiais que o mundo industrializado é capaz de trazer. Por isso, eletrificar a capital federal, que era a principal cidade do país, foi uma forma de dizer que as promessas de ‘ordem e progresso’ da República estavam sendo cumpridas. A chegada dos bondes, por exemplo, com a retirada a tração animal, transformou o dia a dia dos cariocas. A iluminação também foi um elemento-chave, além de todas as inovações que a eletricidade proporciona, como o desenvolvimento dos meios de comunicação de massa, jornais, revistas, rádios... Então, a energia elétrica nesse contexto representa uma melhoria nas condições de vida da população”, explicou o pesquisador, em entrevista concedida à Memória da Eletricidade.

No entanto, apesar do aspecto de progresso, as reformas geraram alguns problemas estruturais na cidade, que se estendem até a atualidade, conforme afirma o historiador: “O processo de urbanização, não só do Rio, mas do Brasil como um todo, foi muito veloz. A Inglaterra, por exemplo, o primeiro país a se industrializar no mundo, levou 100 anos para ter mais da metade da população vivendo em cidades, enquanto o Brasil já atingiu esse marco nos anos 1950. Isso acarretou um processo de periferização, de favelização, de inchaço urbano e de imobilidade urbana, que hoje nos afetam diretamente”.

Gratuita, a exposição pode ser acessada aqui. Esta é a terceira da Memória na Eletricidade na plataforma. As outras contam a história da Usina Hidrelétrica Alberto Torres (Piabanha), fundamental para a eletrificação do Estado do Rio, e da Exposição Nacional de 1908, grande solenidade realizada na cidade.

Movimento na Rua do Passeio, na Cinelândia, Região Central do Rio, com postes recém-instalados. Foto Acervo Light

Sobre a Memória da Eletricidade 

Memória da Eletricidade é uma instituição sem fins lucrativos dedicada à preservação e difusão da história do setor elétrico brasileiro. Desde 1986, realiza projetos de pesquisa histórica, conservação de acervos, produção de publicações e coleta de relatos de história oral, promovendo o conhecimento sobre a trajetória e os desafios da energia no Brasil. Seu acervo reúne milhares de documentos, fotografias, vídeos e registros sonoros que contam a evolução do setor elétrico e podem ser acessados gratuitamente pelo site.

Serviço:

Exposição: A energia que iluminou o cotidiano: imagens e memórias do Rio de Janeiro

Lançamento: 26 de fevereiro

Plataforma: Google Arts  & Culture | Memória da Eletricidade

Acesso: Gratuito

Realização: Memória da Eletricidade, em parceria com a Light