Personalidades do Setor
Apolônio Jorge de Faria Sales
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Nome
Apolônio Jorge de Faria Sales
Nome para referências
Sales, Apolônio Jorge de Faria, 1904-1982
Nascimento
1904-08-24
Falecimento
1982-10-12
Verbete

SALES, Apolônio Presidente da Chesf

Apolônio Jorge de Faria Sales nasceu em Altinho (PE) no dia 24 de agosto de 1904. Diplomou-se engenheiro-agrônomo em novembro de 1923 pela Escola Superior de Agricultura de São Bento (PE). Em fevereiro de 1924 foi nomeado professor de Economia Rural do mesmo estabelecimento e, em julho do ano seguinte, professor de Agricultura Especial.

Em 1928 passou a catedrático interino de Agricultura Geral, Hidráulica Agrícola, Topografia, Agrologia, Meteorologia e Direito Rural e, no mesmo ano, foi nomeado auxiliar do Serviço Estadual do Mosaico, órgão encarregado do controle fitopatológico, vindo a exercer o mesmo cargo no Serviço de Cana-de-Açúcar e Defesa Agrícola, em 1931. Foi chefe do Serviço Estadual da Cana de 1934 a 1935, órgão vinculado à Diretoria da Agricultura de Pernambuco. Nessa função introduziu modernas técnicas de irrigação, executando um projeto de sua autoria na Usina Catende. Com a criação da Secretaria da Agricultura do estado em 1935, passou a exercer o cargo de assistente do Serviço de Experimentação Agrícola. Ainda nesse ano, viajou ao Havaí, Estados Unidos, para estudar os processos de irrigação e os métodos empregados na cultura da cana-de-açúcar.

Foi secretário da Agricultura de Pernambuco de 1937 a 1942. Em fevereiro desse último ano foi nomeado ministro da Agricultura pelo presidente Getúlio Dornelles Vargas (1930-1945), em substituição a Carlos de Sousa Duarte, que ocupava interinamente o ministério desde junho do ano anterior. Em 1943, Apolônio Sales desencadeou campanha pelo aproveitamento do potencial da Cachoeira de Paulo Afonso, no rio São Francisco, como forma de solucionar o problema de energia elétrica do Nordeste. No ano seguinte visitou o estado do Tennessee, nos Estados Unidos, para inteirar-se da organização do Tennessee Valley Authority (TVA), iniciativa que foi considerada a primeira manifestação de planejamento regional, sob a égide do Estado, naquele país.

Como resultado dessa campanha, elaborou os projetos que deram origem ao Decreto-Lei n.º 8.031, ao Decreto-Lei n.º 8.032 e ao Decreto-Lei n.º19.706, de 3 de outubro de 1945, assinados pelo presidente Getúlio Vargas, criando a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), abrindo crédito para a organização da empresa e outorgando à mesma concessão para aproveitamento da energia hidráulica do rio São Francisco, no trecho compreendido entre Juazeiro (BA) e Piranhas (AL). Entretanto, a Chesf só viria a ser instalada em 15 de março de 1948, após a assembléia constitutiva da companhia. As primeiras unidades geradoras da Usina Hidrelétrica Paulo Afonso I entrariam em funcionamento em dezembro de 1954. Apolônio Sales deixou a pasta em 29 de outubro de 1945, quando da queda do Estado Novo, tendo sido substituído por João Maurício de Medeiros.

Com a redemocratização do país e a promulgação da nova Constituição em setembro de 1946, foi eleito senador por Pernambuco no pleito suplementar de 19 de janeiro de 1947, na legenda da coligação formada pelo Partido Social Democrático (PSD) e pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), para um mandato de quatro anos. Em 1948, elaborou o projeto que criava o Serviço do Fomento à Energia Elétrica (SFEE), com o intuito de incrementar a técnica de produção agrícola e elevar o nível de vida dos habitantes do campo. No pleito de 3 de outubro de 1950, reelegeu-se para o Senado na legenda do PSD. Durante o segundo governo de Getúlio Vargas foi novamente nomeado ministro da Agricultura, licenciando-se do Senado para tomar posse do cargo no dia 28 de junho de 1954, em substituição a João Cleofas de Oliveira. Manteve-se à frente da pasta da Agricultura até 31 de agosto, depois do suicídio de Getúlio Vargas, quando, na Presidência de João Café Filho, foi substituído por José da Costa Porto, reassumindo em seguida seu mandato de senador.

Em 1956, foi eleito vice-presidente do Senado, reelegendo-se para essa função nos três anos seguintes. Em janeiro de 1959 concluiu seu mandato no Senado. Apolônio Sales foi eleito presidente da Chesf em maio de 1962, assumindo o cargo em substituição a Amaury Alves de Menezes, que ocupava a Presidência da companhia em caráter interino desde dezembro do ano anterior. Voltaria a ser reeleito presidente da empresa, sucessivamente, em 1964, 1968 e 1972. Destacam-se, nessa sua gestão, a entrada em operação da segunda e da terceira unidades geradoras da Usina Hidrelétrica Paulo Afonso II, com 75 MW cada uma, em 1962 e 1964, respectivamente, e a posterior conclusão dessa usina, totalizando 465 MW de potência nominal, a conclusão da Usina Hidrelétrica Paulo Afonso III, com 768 MW, e o início da construção da Usina Hidrelétrica Moxotó, que em 1983 passaria a ser denominada Usina Hidrelétrica Apolônio Sales.

Criou, organizou e instalou, em 1963, a Eletrificação Rural de Paulo Afonso S. A. (Erpasa). Em junho de 1974, deixou a Presidência da Chesf, tendo sido substituído por André Dias de Arruda Falcão Filho, e foi eleito presidente do Conselho de Administração da empresa. Exerceu esse cargo até 1976, tendo sido sucedido por Alberto Costa Guimarães. A partir de então passou a membro desse conselho, que integrou até o dia 12 de outubro de 1982, quando faleceu no Rio de Janeiro. Publicou O Ministério da Agricultura no governo Getúlio Vargas (1930-1944) (1945), A recuperação de um vale (1946), Problemas do São Francisco (1947), Aspectos da economia brasileira (1949), Política agrária do Brasil (1956) e Israel, jovem nação milenar (1958).

Trajetória profissional

Companhia Hidro Elétrica do São Francisco

Cargo: Presidente do Conselho de Administração da Chesf

Início: 1974

Término: 1976

Companhia Hidro Elétrica do São Francisco

Cargo: Presidente da Chesf

Início: 1962

Término: 1974

Formação Acadêmica

Curso: Engenharia Agrônoma, na Escola Superior de Agricultura de São Bento, São Bento (PE), em 1923

Local de nascimento
Altinho (PE)
Local de falecimento
Rio de Janeiro (RJ)