Personalidades do Setor
José Luiz Alquéres
Compartilhar
Nome
José Luiz Alquéres
Nome para referências
Alquéres, José Luiz, 1944-
Nascimento
1944-03-31
Verbete

José Luiz Alquéres nasceu em 31 de março de 1944 no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Estudou Engenharia Civil na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro.

Em 1964, ainda na faculdade, foi admitido por concurso público no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), atual Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Trabalhou durante três anos no banco, inicialmente no Departamento de Controle de Aplicações e, em seguida, no Programa de Financiamento à Pequena e Média Empresa (Fipeme) e na Agência Especial de Financiamento Industrial (Finame).

Formou-se engenheiro em 1966. Selecionado para bolsa de estudos nos Estados Unidos na área de planejamento urbano e regional, realizou estágios em prefeituras e órgãos públicos norte-americanos ao longo do ano seguinte. Ao regressar ao Brasil, foi contratado como professor da PUC, onde lecionaria por sete anos. Foi também funcionário das firmas de engenharia Sondotécnica Engenharia de Solos S.A., Severo e Villares e do Serviço Federal de Habitação e Urbanismo (SERFHAU).

Realizou curso de extensão em planejamento e desenvolvimento oferecido pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Em 1972, concluiu mestrado em Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), passando a lecionar também na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da mesma universidade. Ainda em 1972, ingressou na Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobrás), assumindo o cargo de chefe-adjunto do Departamento de Estudos de Mercado da empresa dois anos depois. Paralelamente às suas atividades na holding federal, prestou consultorias na área imobiliária e foi sócio da firma Carioca Engenharia, Planejamento e Arquitetura, da qual se afastou em 1977.

Em 1978, sob a liderança de Arnaldo Rodrigues Barbalho, então presidente da Eletrobrás, participou do trabalho denominado Projetos Especiais da Eletrobrás, que criou uma base referencial para as ações que seriam realizadas no setor elétrico na década seguinte. Na mesma época, colaborou nos estudos que resultaram na criação da Fundação Nacional Pró-Memória, entidade da qual faria parte, como membro do Conselho Curador, entre 1985 e 1990. Realizou curso de pós-graduação em planejamento energético na Universidade de Chicago, EUA, no primeiro trimestre de 1979.

Ao regressar ao Brasil, afastou-se da Eletrobrás para ocupar a diretoria-adjunta de planejamento e distribuição comercial da Light Serviços de Eletricidade S.A. (Light), recém-adquirida pela holding federal, em operação que marcou a quase completa estatização do setor. Durante sua passagem pela Light, criou a Superintendência de Eletrificação de Interesse Regional, responsável pelo programa de eletrificação das favelas do Rio de Janeiro, e a Superintendência de Racionalização Energética. Participou de várias missões de cooperação internacional e de estágio em tarifação pelo custo-marginal na Electricité de France (EDF) em Paris.

De volta à Eletrobrás em 1983, assumiu a função de assistente da Diretoria de Planejamento e Engenharia e a secretaria-executiva do Grupo Coordenador do Planejamento dos Sistemas Elétricos (GCPS). Atuou como coordenador-adjunto dos trabalhos de elaboração do chamado Plano 2010, aprovado como referência básica do planejamento de longo prazo do setor de energia elétrica por decreto do presidente José Sarney em setembro de 1988. Também participou dos estudos de avaliação do projeto de brasileiro-argentino sobre o aproveitamento hidrelétrico de Garabi, no rio Uruguai. Licenciou-se da Eletrobrás em fevereiro de 1988 para assumir a presidência da Companhia de Eletricidade do Rio de Janeiro (Cerj), exercendo o cargo até o final do mesmo ano.

Em fevereiro de 1989, após uma breve passagem na administração pública fluminense como subsecretário de Planejamento e Coordenação do governo Wellington Moreira Franco, retornou à Eletrobrás como diretor de Planejamento e Engenharia. Nesta fase, coordenou a elaboração do Plano Diretor de Meio Ambiente, realizou estudos para interligação dos sistemas elétricos da Bacia do Prata e da região Norte do país com a Venezuela e coordenou estudos de desenvolvimento tecnológico visando à expansão do parque gerador brasileiro, com maior presença na geração térmica.

Em 1991, assumiu a presidência do Comitê Brasileiro do Conselho Mundial de Energia (CBCME). Permaneceu na diretoria da Eletrobrás até agosto de 1992. Nomeado secretário nacional de Energia, renunciou ao cargo em novembro de 1992, no início do governo Itamar Franco, quando passou a integrar a diretoria da BNDES Participações S.A. (BNDESPAR), empresa holding de participações acionárias do BNDES.

Em março de 1993, foi nomeado presidente da Eletrobrás, substituindo o engenheiro Eliseu Resende. Teve participação destacada no processo de saneamento financeiro do setor de energia elétrica e de restabelecimento da adimplência entre as empresas do setor. O problema da dívida entre as concessionárias e destas com a União foi resolvido mediante complexa operação contábil, de acordo com os preceitos estabelecidos nas Leis nº 8.631 e 8.724, promulgadas em março e outubro de 1993. Dívidas da Eletrobrás e suas subsidiárias com grandes empreiteiros, empresas de consultoria de engenharia e fornecedores foram compostas e quitadas, o mesmo ocorrendo com o contencioso de atrasos de pagamentos ao Paraguai, decorrentes da Itaipu Binacional.

Paralelamente ao processo de saneamento financeiro, Alquéres buscou ampliar a liquidez e a base acionária da Eletrobrás. Sua gestão também foi marcada pelo empenho em promover a participação do capital privado na expansão do parque gerador de energia elétrica e por grande expectativa em relação à desestatização das empresas do grupo Eletrobrás. Foi um dos principais idealizadores do Sistema Nacional de Transmissão de Energia Elétrica (Sintrel), instituído em dezembro de 1993, com o objetivo de atrair investimentos privados na área de geração mediante a abertura da malha de transmissão das subsidiárias da Eletrobrás.

Dando continuidade à revisão periódica do planejamento da expansão de longo prazo do setor de energia elétrica, a Eletrobrás concluiu em 1994 o chamado Plano 2015. Alquéres deixou a presidência da holding federal em dezembro de 1994, sendo substituído interinamente pelo engenheiro Mario Fernando de Melo Santos. Aposentou-se da empresa no início do ano seguinte, passando a atuar na iniciativa privada.

De 1995 a dezembro de 1998, foi diretor-executivo da Companhia Bozano Simonsen Comércio e Indústria, uma das empresas do consórcio vencedor do leilão de privatização da Espírito Santo Centrais Elétricas S.A (Escelsa), realizado em junho de 1995. Até o final de 1996 presidiu o Conselho de Administração da Escelsa. Em janeiro de 1999, fundou a JL Alquéres Engenharia Consultiva e, em abril de 2000, assumiu a presidência da Alstom Brasil Ltda., empresa multinacional fabricante de turbinas, geradores, equipamentos de transmissão e de distribuição e material de transporte metroviário.

Foi um dos principais articuladores do consórcio Rio Minas Energia (RME) que, em março de 2006, firmou acordo com a Electricité de France (EDF) para a aquisição do controle acionário das empresas do grupo Light, nomeadamente a Light Energia (geração e transmissão), a Light Serviços de Eletricidade (concessionária de distribuição no Rio de Janeiro) e a Light Esco (comercializadora).

Em agosto de 2006, após deixar a presidência da Alstom Brasil, assumiu o cargo de diretor-presidente do grupo Light, como representante do consórcio RME, composto pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Andrade Gutierrez Concessões (AG Concessões), Pactual Energia Participações (Pactual Energia) e Luce Brasil Fundo de Investimento em Participações (Luce).

Em junho de 2007, tomou posse do cargo de primeiro vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ). Publicou o livro Petrópolis (2002), ilustrado por Mario Penna Bhering, ex-presidente da Eletrobrás.

BIOGRAFIA ATUALIZADA POR PAULO BRANDI NO ANO DE 2008.

Trajetória profissional

Centrais Elétricas Brasileiras S.A.

Cargo: Presidente da Eletrobras

Início: 1993

Término: 1994

Ministério da Infraestrutura

Cargo: Secretário Nacional Energia do Minfra

Início: 1992

Término: 1992

Centrais Elétricas Brasileiras S.A.

Cargo: Diretor de Planejamento e Engenharia da Eletrobras

Início: 1989

Término: 1992

Companhia de Eletricidade do Estado do Rio de Janeiro

Cargo: Presidente da Cerj

Início: 1988

Término: 1989

Light - Serviços de Eletricidade S.A.

Cargo: Diretor-Adjunto de Planejamento e Distribuição Comercial da Light

Início: 1979

Término: 1983

Centrais Elétricas Brasileiras S.A.

Cargo: Chefe-Adjunto do Departamento de Estudos de Mercado da Eletrobras

Início: 1974

Término: 1974

Formação Acadêmica
  • Curso: Mestrado Planejamento Urbano e Regional, na Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro (GB) Ano: 1972
  • Curso: Engenharia Civil Instituição, na Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ), Rio de Janeiro (GB), 1966
Local de nascimento
Rio de Janeiro (DF)