Personalidades do Setor
Antônio José Alves de Souza
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Nome
Antônio José Alves de Souza
Nome para referências
Souza, Antônio José Alves de, 1896-1961
Nascimento
1896-03-04
Falecimento
1961-12-18
Verbete

Antônio José Alves de Souza nasceu no Rio de Janeiro (DF) no dia 4 de março de 1896. Formou-se em Engenharia de Minas e Civil pela Escola de Minas de Ouro Preto (MG) no ano de 1920, ingressando em seguida no Serviço Geológico e Mineralógico do Brasil, órgão vinculado ao Ministério da Agricultura, tendo coordenado estudos pioneiros para o aproveitamento hidrelétrico do rio São Francisco entre 1920 e 1922, e tendo participado de vários estudos de rios e quedas d'água em diversas localidades do país.

Assumiu, em agosto de 1933, a Diretoria de Águas do Departamento Nacional da Produção Mineral (DNPM), posteriormente transformada em Divisão de Águas. Membro do Conselho Federal de Comércio Exterior (CFCE) entre 1939 e 1949, também integrou o Conselho Nacional de Minas e Metalurgia (1942-1948), a Comissão do Estatuto de Petróleo e a Comissão de Revisão dos Códigos de Águas e de Minas. Dirigiu a Divisão de Águas até junho de 1942, quando passou a responder pela Diretoria-Geral do DNPM.

Juntamente com o ministro da Agricultura, Apolônio Jorge de Faria Sales, foi um dos principais defensores da exploração do potencial energético do rio São Francisco como forma de reduzir o grande desequilíbrio regional existente no país. A iniciativa daria origem à Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), criada pelo Decreto-Lei no 8.031, assinado pelo presidente Getúlio Dornelles Vargas em 3 de outubro de 1945. Concebida para realizar o aproveitamento hidrelétrico da Cachoeira de Paulo Afonso, localizada na divisa da Bahia com Alagoas, a Chesf teve sua organização adiada em função da deposição de Vargas em 29 de outubro seguinte. O processo foi retomado no governo de Eurico Gaspar Dutra (1946-1951), cabendo a Antônio José Alves de Souza a redação de um projeto anunciando os objetivos da empresa e as formas de captação de recursos para o empreendimento. O documento, que ficou conhecido como Manifesto da Chesf, enfrentou resistências no Congresso Nacional, principalmente por não ter incluído a Bahia entre os estados a serem beneficiados na primeira fase do empreendimento. O impasse só foi contornado em dezembro de 1947, quando Eurico Dutra anunciou o aumento do capital da companhia ou a realização de empréstimos, o que permitiria incluir a Bahia e a Paraíba no grupo de estados beneficiados nessa etapa.

A Chesf foi oficialmente instalada em 15 de março de 1948. Eleito primeiro presidente da empresa, Antônio José Alves de Souza deixou, com isso, a direção do DNPM. O projeto do aproveitamento hidrelétrico de Paulo Afonso foi concebido pelo engenheiro Octavio Marcondes Ferraz, diretor técnico da companhia. O engenheiro propôs solução original, prevendo uma casa de força subterrânea com três unidades geradoras. Paulo Afonso I e a usina Nilo Peçanha, construída na mesma época no Rio de Janeiro pela Light, foram as primeiras centrais geradoras subterrâneas do Brasil. As obras tiveram início em março de 1949, com a construção da barragem da usina. Entre junho e setembro de 1954, foram efetuados o desvio e o fechamento do rio São Francisco, iniciando-se em seguida o enchimento do reservatório. Em dezembro, as duas primeiras unidades geradoras, de 60 MW cada, entraram em operação e, em janeiro de 1955, a usina foi oficialmente inaugurada, dando início ao abastecimento de Recife (PE) e Salvador (BA). Ainda no mesmo ano, passou a funcionar a terceira unidade projetada, também de 60 MW. Além dos 180 MW gerados pela usina, a Chesf contava na época com mais 22 MW de potência instalada, sendo 20 MW provenientes da Usina Termelétrica Cotegipe e 2 MW da Usina Hidrelétrica Piloto.

A captação de recursos para a construção de Paulo Afonso foi garantida com a divisão do capital inicial da empresa em 50% de ações ordinárias, adquiridas em sua totalidade pelo governo federal, e em 50% de ações preferenciais, subscritas em sua maioria pelos institutos de previdência federais e pelos governos da Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe. Logo depois, a Chesf teve seu capital duplicado por autorização do governo. A empresa também contou com empréstimos concedidos pelo Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (Bird), pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE) - depois denominado Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) -, pelo Banco do Brasil e pelo Export-Import Bank (Eximbank).

Antônio José Alves de Souza foi reeleito presidente da Chesf em 1952, 1956 e 1960. Faleceu em Paulo Afonso (BA) no dia 18 de dezembro de 1961. Uma de suas últimas realizações foi a inauguração da primeira unidade geradora da Usina Hidrelétrica Paulo Afonso II, com 75 MW de potência, em janeiro deste último ano. Foi sucedido na Presidência da companhia por Amaury Alves de Menezes.

Trajetória profissional

Companhia Hidro Elétrica do São Francisco

Cargo: Diretor-Presidente da Chesf

Início: 1948

Término: 1961


Companhia Carris, Luz e Força do Rio de Janeiro

Cargo: Diretor da Companhia Carris, Luz e Força do Rio de Janeiro

Início: 1933

Término: 1942

Formação Acadêmica

Curso: Engenharia de Minas e Civil

Instituição: Escola de Minas de Ouro Preto

Local: Ouro Preto (MG) Ano: 1920

Local de nascimento
Rio de Janeiro (DF)
Local de falecimento
Paulo Afonso (BA)