A preservação da história da energia elétrica no Brasil se renova

Postado em 28/08/2020
Renato Diniz
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Os anos 1980 foram férteis para a história da indústria da energia elétrica em nosso país. Em 1986 foi criado, por iniciativa da Eletrobras, o Centro da Memória da Eletricidade do Brasil – Memória da Eletricidade – no Rio de Janeiro. Contemporâneo de iniciativas dentro e fora do país, foi um passo importante para a preservação dos registros do setor elétrico brasileiro. Em 1988, a Memória da Eletricidade publicou o “Panorama da História da Energia Elétrica no Brasil”, referência fundamental para a memória da indústria de geração, transmissão e distribuição de eletricidade, insumo básico do desenvolvimento.O percurso do setor elétrico brasileiro passou então a figurar numa extensa produção historiográfica de referência, constituída por livros físicos e virtuais, exposições, debates e seminários.

Ao completar 34 anos de atividades, o Centro da Memória de Eletricidade do Brasil se renova, amplia seu leque de interesses e moderniza a consulta on-line e presencial dos seus registros históricos aos pesquisadores e público interessado. Nessas três décadas, sem se abster de uma visão social dessas atividades produtivas, serviu também de excelente contraponto a iniciativas em todo o país de preservação da memória não só do setor elétrico, mas de diversos setores de nossa vida empresarial e econômica.

Reposicionamento institucional

O Departamento de Patrimônio Histórico da Eletropaulo, o Projeto Memória CESP, os centros de memória da CPFL e da Comgás, foram constituídos igualmente nos anos 1980 em empresas controladas pelo governo do Estado de São Paulo. Em 1998, os acervo históricos da Eletropaulo, CESP e Comgás foram transferidos, no contexto de privatização dessas empresas, à Fundação Patrimônio Histórico da Energia de São Paulo, hoje Fundação Energia e Saneamento – FES. Num processo semelhante ao vivido pela Memória da Eletricidade, em 2019, após 21 anos de atividade e frente ao desafio de se ressignificar a Fundação, o Conselho de Administração da FES, aliado à sua equipe de profissionais, entendeu a necessidade de investigar a percepção do público sobre a real importância histórica e social do trabalho desenvolvido, já que sua perenidade estava sendo ameaçada por falta de reconhecimento e de recursos financeiros. Iniciou-se então um processo de reposicionamento institucional, dando um novo significado à sua causa, se atualizando e se reinventando diante dos impasses e novos desafios para atrair investidores.

O desenvolvimento de um Plano de Reposicionamento Institucional e consequentemente de um novo Plano de Negócios apontou novas perspectivas de geração de receita e de potencialização dos serviços e negócios já existentes, sobretudo para novos clientes e mercados ainda não explorados. Conselho e equipe estão seguros sobre como a Fundação, ao completar 22 anos de atividade, pode contribuir com a sociedade hoje. Uma contribuição que corresponde a uma demanda de nosso tempo, sem perder a essência de sua gênese. Estamos mais conscientes da agenda global e esperamos das organizações mais do que uma missão e propósito, queremos que elas melhorem o Brasil e o mundo. Sabemos que o sucesso da Fundação está na sua identidade, no seu posicionamento institucional e no seu engajamento em torno do seu propósito e da sua causa. Com a certeza do bom passo, caminhamos lado a lado com o Centro da Memória da Eletricidade do Brasil. Vida longa às duas instituições!