Memória efetiva

Postado em 28/08/2020
Fernanda Costa e Silva
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Muitas vezes, quando custos precisam ser cortados ou pessoas realocadas, a unidade de memória corporativa é uma das primeiras a sentir. Ao mesmo tempo, a memória cresce de importância nos aniversários da companhia. De dez em dez anos, é um sucesso. Se chegar a cinquenta, um festão. O desafio se impõe: como ampliar a percepção da importância do papel da memória no dia a dia da instituição?

A memória afetiva é muitas vezes o elo da cultura empresarial, peça chave no orgulho de pertencimento. Fundamental nos momentos de crise de identidade e transformação institucional. Essa vertente da memória é uma parcela – restrita mas não menos relevante –do que a memória tem a oferecer. 

A memória não é neutra. Sua coleta é uma leitura; sua recuperação e uso, uma transformação. É assim que se mantém atual e significativa sempre, pelos olhos de quem a interpreta hoje a partir da visão de quem a capturou no passado. É uma conexão temporal, quase que um aconselhamento. 

O céu é o limite, mas é preciso registrar, selecionar e guardar

Está aí a sua função mais importante – sua verdadeira efetividade –, aquela sem a qual o mundo do propósito, do agora, da transparência absoluta não pode viver sem. A memória é fonte de estímulo para novas gerações empresariais, que descobrem que obstáculos tão complexos quanto os seus já foram superados no passado; de agilidade para novos executivos, que podem começar de onde os outros pararam e aprender com os erros (e acertos) anteriores; de ensinamento para além da própria instituição, que compartilha sua história com outras empresas, com a academia e com a sociedade.

Depoimentos orais, casos estruturados, documentos arquivados, livros publicados: não importa a forma, o céu é o limite. Mas é preciso registrar, selecionar e guardar. Mais importante: é preciso estruturar e organizar para depois recuperar, comparar e utilizar. 

Às vezes a memória mais efetiva não é a mais afetiva ou mesmo a de 50 anos atrás, mas a de ontem ou ainda a que nos permita reavaliar o hoje e ajustar nossos rumos. A memória deve permanecer para além das datas comemorativas e das unidades institucionais.

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A palestra "Memória BNDES: conhecer para desenvolver", apresentada pela Fernanda no Preserva.ME 2017:


Fernanda Costa e Silva