Um mundo novo

Postado em 19/10/2020
Por José Luiz Alquéres

José Luiz Alquéres nasceu em 31 de março de 1944 no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Estudou Engenharia Civil na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro.

Em 1964, ainda na faculdade, foi admitido por concurso público no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), atual Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Trabalhou durante três anos no banco, inicialmente no Departamento de Controle de Aplicações e, em seguida, no Programa de Financiamento à Pequena e Média Empresa (Fipeme) e na Agência Especial de Financiamento Industrial (Finame).

Formou-se engenheiro em 1966. Selecionado para bolsa de estudos nos Estados Unidos na área de planejamento urbano e regional, realizou estágios em prefeituras e órgãos públicos norte-americanos ao longo do ano seguinte. Ao regressar ao Brasil, foi contratado como professor da PUC, onde lecionaria por sete anos. Foi também funcionário das firmas de engenharia Sondotécnica Engenharia de Solos S.A., Severo e Villares e do Serviço Federal de Habitação e Urbanismo (SERFHAU).

Realizou curso de extensão em planejamento e desenvolvimento oferecido pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Em 1972, concluiu mestrado em Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), passando a lecionar também na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da mesma universidade. Ainda em 1972, ingressou na Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobrás), assumindo o cargo de chefe-adjunto do Departamento de Estudos de Mercado da empresa dois anos depois. Paralelamente às suas atividades na holding federal, prestou consultorias na área imobiliária e foi sócio da firma Carioca Engenharia, Planejamento e Arquitetura, da qual se afastou em 1977.

Em 1978, sob a liderança de Arnaldo Rodrigues Barbalho, então presidente da Eletrobrás, participou do trabalho denominado Projetos Especiais da Eletrobrás, que criou uma base referencial para as ações que seriam realizadas no setor elétrico na década seguinte. Na mesma época, colaborou nos estudos que resultaram na criação da Fundação Nacional Pró-Memória, entidade da qual faria parte, como membro do Conselho Curador, entre 1985 e 1990. Realizou curso de pós-graduação em planejamento energético na Universidade de Chicago, EUA, no primeiro trimestre de 1979.

Ao regressar ao Brasil, afastou-se da Eletrobrás para ocupar a diretoria-adjunta de planejamento e distribuição comercial da Light Serviços de Eletricidade S.A. (Light), recém-adquirida pela holding federal, em operação que marcou a quase completa estatização do setor. Durante sua passagem pela Light, criou a Superintendência de Eletrificação de Interesse Regional, responsável pelo programa de eletrificação das favelas do Rio de Janeiro, e a Superintendência de Racionalização Energética. Participou de várias missões de cooperação internacional e de estágio em tarifação pelo custo-marginal na Electricité de France (EDF) em Paris.

De volta à Eletrobrás em 1983, assumiu a função de assistente da Diretoria de Planejamento e Engenharia e a secretaria-executiva do Grupo Coordenador do Planejamento dos Sistemas Elétricos (GCPS). Atuou como coordenador-adjunto dos trabalhos de elaboração do chamado Plano 2010, aprovado como referência básica do planejamento de longo prazo do setor de energia elétrica por decreto do presidente José Sarney em setembro de 1988. Também participou dos estudos de avaliação do projeto de brasileiro-argentino sobre o aproveitamento hidrelétrico de Garabi, no rio Uruguai. Licenciou-se da Eletrobrás em fevereiro de 1988 para assumir a presidência da Companhia de Eletricidade do Rio de Janeiro (Cerj), exercendo o cargo até o final do mesmo ano.

Em fevereiro de 1989, após uma breve passagem na administração pública fluminense como subsecretário de Planejamento e Coordenação do governo Wellington Moreira Franco, retornou à Eletrobrás como diretor de Planejamento e Engenharia. Nesta fase, coordenou a elaboração do Plano Diretor de Meio Ambiente, realizou estudos para interligação dos sistemas elétricos da Bacia do Prata e da região Norte do país com a Venezuela e coordenou estudos de desenvolvimento tecnológico visando à expansão do parque gerador brasileiro, com maior presença na geração térmica.

Em 1991, assumiu a presidência do Comitê Brasileiro do Conselho Mundial de Energia (CBCME). Permaneceu na diretoria da Eletrobrás até agosto de 1992.Nomeado secretário nacional de Energia, renunciou ao cargo em novembro de 1992, no início do governo Itamar Franco, quando passou a integrar a diretoria da BNDES Participações S.A. (BNDESPAR), empresa holding de participações acionárias do BNDES.

Em março de 1993, foi nomeado presidente da Eletrobrás, substituindo o engenheiro Eliseu Resende. Teve participação destacada no processo de saneamento financeiro do setor de energia elétrica e de restabelecimento da adimplência entre as empresas do setor. O problema da dívida entre as concessionárias e destas com a União foi resolvido mediante complexa operação contábil, de acordo com os preceitos estabelecidos nas Leis nº 8.631 e 8.724, promulgadas em março e outubro de 1993. Dívidas da Eletrobrás e suas subsidiárias com grandes empreiteiros, empresas de consultoria de engenharia e fornecedores foram compostas e quitadas, o mesmo ocorrendo com o contencioso de atrasos de pagamentos ao Paraguai, decorrentes da Itaipu Binacional.

Paralelamente ao processo de saneamento financeiro, Alquéres buscou ampliar a liquidez e a base acionária da Eletrobrás. Sua gestão também foi marcada pelo empenho em promover a participação do capital privado na expansão do parque gerador de energia elétrica e por grande expectativa em relação à desestatização das empresas do grupo Eletrobrás. Foi um dos principais idealizadores do Sistema Nacional de Transmissão de Energia Elétrica (Sintrel), instituído em dezembro de 1993, com o objetivo de atrair investimentos privados na área de geração mediante a abertura da malha de transmissão das subsidiárias da Eletrobrás.

Dando continuidade à revisão periódica do planejamento da expansão de longo prazo do setor de energia elétrica, a Eletrobrás concluiu em 1994 o chamado Plano 2015. Alquéres deixou a presidência da holding federal em dezembro de 1994, sendo substituído interinamente pelo engenheiro Mario Fernando de Melo Santos. Aposentou-se da empresa no início do ano seguinte, passando a atuar na iniciativa privada.

De 1995 a dezembro de 1998, foi diretor-executivo da Companhia Bozano Simonsen Comércio e Indústria, uma das empresas do consórcio vencedor do leilão de privatização da Espírito Santo Centrais Elétricas S.A (Escelsa), realizado em junho de 1995. Até o final de 1996 presidiu o Conselho de Administração da Escelsa. Em janeiro de 1999, fundou a JL Alquéres Engenharia Consultiva e, em abril de 2000, assumiu a presidência da Alstom Brasil Ltda., empresa multinacional fabricante de turbinas, geradores, equipamentos de transmissão e de distribuição e material de transporte metroviário.

Foi um dos principais articuladores do consórcio Rio Minas Energia (RME) que, em março de 2006, firmou acordo com a Electricité de France (EDF) para a aquisição do controle acionário das empresas do grupo Light, nomeadamente a Light Energia (geração e transmissão), a Light Serviços de Eletricidade (concessionária de distribuição no Rio de Janeiro) e a Light Esco (comercializadora).

Em agosto de 2006, após deixar a presidência da Alstom Brasil, assumiu o cargo de diretor-presidente do grupo Light, como representante do consórcio RME, composto pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Andrade Gutierrez Concessões (AG Concessões), Pactual Energia Participações (Pactual Energia) e Luce Brasil Fundo de Investimento em Participações (Luce).

Em junho de 2007, tomou posse do cargo de primeiro vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ). Publicou o livro Petrópolis (2002), ilustrado por Mario Penna Bhering, ex-presidente da Eletrobrás.

BIOGRAFIA ATUALIZADA POR PAULO BRANDI NO ANO DE 2008

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A história da humanidade é uma história pontuada pelas formas e pelas fontes de energia que ela usa. Isso desde a mitologia, quando Prometeu dá o fogo a seus amigos humanos, simbolizando assim a possibilidade de os humanos terem atributos quase divinos. O fogo lhes permite multiplicar e diversificar a produção e, na prática e na simbologia, o fogo é a energia, uma coisa muito séria.

O homem foi progressivamente aprendendo a usar em seu benefício outras formas de energia disponíveis na natureza: as águas que correm, os ventos que impelem navios a vela e moinhos, o fogo e o carvão da lenha.

O carvão mineral só começou a ser usado mais extensivamente na Inglaterra do século XVI, quando suas florestas estavam devastadas. O óleo refinado do petróleo, no final do século XIX, disseminando-se mesmo nas primeiras décadas do século XX a partir da Primeira Guerra Mundial, quando foi usado nos motores dos navios de guerra e no pós-guerra, período no qual o automóvel incentivou a moradia nos subúrbios e o trabalhar em zonas industriais e centros comerciais, espacializando funcionalmente as cidades.

A cada uma dessas mudanças corresponderam enormes transformações nos meios de viver, produzir. E enormes progressos também no campo das invenções que atendessem aos mais diversos usos.

A popularização da energia elétrica

Do final do século XIX em diante, crescentemente se popularizou uma forma de energia secundária, a energia elétrica. Podendo ser obtida praticamente a partir das mais variadas fontes, como biomassa, água, vento, carvão mineral, petróleo, minerais radioativos e outras, bem como transmitida nas mais variadas tensões, das mais curtas às mais longas distâncias, ela se consolidou como a mais versátil forma de energia. Ela pode ser produzida concentradamente em grandes núcleos de geração (usinas termonucleares, grandes hidrelétricas), em núcleos de tamanho médio, como parques eólicos ou núcleos de cogeração, e até mesmo em pequenas instalações de painéis fotovoltaicos que servem a uma simples unidade domiciliar ou comercial.

As suas centrais de produção a combustível de origem fóssil hoje podem ter equipamentos para diminuir as descargas de carbono ao meio ambiente. É uma questão de custo. Quando produzida por fontes limpas, a exemplo dos painéis fotovoltaicos, das eólicas e das hidrelétricas dos mais variados portes, a energia elétrica não produz gases de efeito estufa.

Todos os estudos em relação ao futuro mostram a necessidade de migrarmos para uma economia de baixo carbono, ou seja, sem implicar na utilização de energia de fontes poluidoras e sem pressionar os fatores que levam às mudanças climáticas, que já estamos sofrendo. Outros estudos apontam a necessidade de se preservar a água como o mais escasso dos recursos, o que impõe a proteção de ambientes naturais, reverter o desflorestamento e mesmo recuperar várias extensões de terras levadas à aridez por práticas agropecuárias predatórias. Água, alimentos e energia têm que, doravante, ser estudados e planejados em conjunto. O clássico planejamento energético virou um tipo de esquizofrenia, uma incompletude em si.

Combinados a esses e outros fenômenos físicos, assiste-se a uma progressiva urbanização do mundo com a tendência de formação de grandes megalópoles, que podem vir a ser sucedidas pela formação de cidades de porte médio nas quais as condições de vida das populações sejam mais resguardadas em matéria de segurança, acesso a serviços públicos, controle da poluição e garantia da saúde pública. A recente pandemia acelerou a tendência do trabalho à distância, um maior isolamento social e o surgimento de recursos digitais que marcaram uma inflexão grande nas práticas a que estávamos acostumados.

Os desafios do Antropoceno

Com o crescimento da população do planeta, já ultrapassando 7 bilhões de habitantes e a caminho de 10 a 12 bilhões no ano 2050, nossa era já se denomina o Antropoceno. O homem é o maior causador das mudanças no ambiente. Os padrões de gestão territorial estão entrando na ordem do dia. Algo comum a todos os cenários futuros é a presença universal da eletricidade como a energia de maior peso na matriz energética.

Os combustíveis líquidos ainda imperam no setor de transporte e têm papel importante na indústria. Os sólidos, como o carvão, têm um peso grande e, sendo o recurso mais abundante, é provável que assim se mantenham, caso desenvolvidos meios mais econômicos para capturar as suas emissões de carbono. O nuclear enfrenta enormes percalços nas democracias, uma vez que as populações sempre se manifestam contra a sua utilização. Ultimamente, tem prosperado mais na China e em outros estados autoritários.

Vemos, portanto, neste século XXI a explosão da produção das fontes alternativas não poluentes que deverão, a meu juízo, ser acompanhadas pela geração térmica limpa, quando se desenvolverem formas econômicas de captura do carbono da queima do carvão, petróleo e gás natural. Não resta dúvida de que, antes de alcançar a utilização final, essas fontes todas serão transformadas em eletricidade e, movimentando-se por fios condutores adequados, energizarão dos mais minúsculos aparelhos aos mais alentados equipamentos industriais de fabricação de alumínio, papel ou laminação do aço. É possível também que, para usos mais volantes, a eletricidade venha a ser utilizada na eletrólise da água para obtenção do hidrogênio, um gás que, superados os problemas de segurança na sua utilização, promete ocupar importantíssimo papel nos próximos anos. O futuro próximo e a meio termo é elétrico e de energia obtida de fontes sustentáveis. Esta dupla característica fala muito da importância dos centros de pesquisa na indústria e nas entidades oficiais, que devem ter seus orçamentos a isso adequados.

Por um futuro mais limpo e sustentável

Vejamos o progresso da cocção de alimentos. Ela evoluiu do alimento a ser exposto diretamente ao fogo, a ser cozido em panelas, a serem utilizados os fogões a carvão vegetal ou de pedra, ao fogão a gás oriundo do carvão, ao gás natural ou GLP (gás liquefeito de petróleo), ao forno de micro-ondas, ao fogão elétrico e ao cozimento por indução eletromagnética. Tudo isso se usa, mais de dez alternativas. As de origem de energia elétrica são as mais limpas e seguras, além de não sujarem os recipientes no lado exposto ao calor. Imaginem na indústria e produção com as tecnologias de fornos, arcos voltaicos, eletrólise e outras muitas que poderão ser aplicadas.

O futuro tem que ser mais limpo e sustentável. A energia elétrica é a grande viabilizadora disso. O campo de pesquisa é muito promissor e acessível, especialmente no território das aplicações e principalmente em países como o Brasil, onde criatividade e inventividade fazem parte da cultura. No lado da produção, podemos, se concentrarmos recursos em uma ou duas fontes, fazermos a diferença. Mas não conseguiremos nada se distribuirmos nossos parcos recursos entre a enorme gama de caminhos possíveis. Caso isso permaneça ocorrendo, continuaremos a ser meros adquirentes de tecnologia.

No pós-pandemia, com o novo desenho das cidades, inteligentes sem dúvida, teremos oportunidades abundantes para sermos líderes no campo da pesquisa e fabricação de aparelhos consumidores de energia elétrica e controladores do seu consumo, talvez também baterias. Eventualmente, se estruturada uma boa política de governo, podemos vir a ter de novo destaque mundial como um dia tivemos nas grandes hidrelétricas.

José Luiz Alquéres é ex-presidente da Eletrobras, da Alstom e da Light e editor-chefe da Ediçōes de Janeiro.

Por José Luiz Alquéres

José Luiz Alquéres nasceu em 31 de março de 1944 no Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Estudou Engenharia Civil na Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro.

Em 1964, ainda na faculdade, foi admitido por concurso público no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE), atual Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Trabalhou durante três anos no banco, inicialmente no Departamento de Controle de Aplicações e, em seguida, no Programa de Financiamento à Pequena e Média Empresa (Fipeme) e na Agência Especial de Financiamento Industrial (Finame).

Formou-se engenheiro em 1966. Selecionado para bolsa de estudos nos Estados Unidos na área de planejamento urbano e regional, realizou estágios em prefeituras e órgãos públicos norte-americanos ao longo do ano seguinte. Ao regressar ao Brasil, foi contratado como professor da PUC, onde lecionaria por sete anos. Foi também funcionário das firmas de engenharia Sondotécnica Engenharia de Solos S.A., Severo e Villares e do Serviço Federal de Habitação e Urbanismo (SERFHAU).

Realizou curso de extensão em planejamento e desenvolvimento oferecido pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Em 1972, concluiu mestrado em Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), passando a lecionar também na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da mesma universidade. Ainda em 1972, ingressou na Centrais Elétricas Brasileiras S.A. (Eletrobrás), assumindo o cargo de chefe-adjunto do Departamento de Estudos de Mercado da empresa dois anos depois. Paralelamente às suas atividades na holding federal, prestou consultorias na área imobiliária e foi sócio da firma Carioca Engenharia, Planejamento e Arquitetura, da qual se afastou em 1977.

Em 1978, sob a liderança de Arnaldo Rodrigues Barbalho, então presidente da Eletrobrás, participou do trabalho denominado Projetos Especiais da Eletrobrás, que criou uma base referencial para as ações que seriam realizadas no setor elétrico na década seguinte. Na mesma época, colaborou nos estudos que resultaram na criação da Fundação Nacional Pró-Memória, entidade da qual faria parte, como membro do Conselho Curador, entre 1985 e 1990. Realizou curso de pós-graduação em planejamento energético na Universidade de Chicago, EUA, no primeiro trimestre de 1979.

Ao regressar ao Brasil, afastou-se da Eletrobrás para ocupar a diretoria-adjunta de planejamento e distribuição comercial da Light Serviços de Eletricidade S.A. (Light), recém-adquirida pela holding federal, em operação que marcou a quase completa estatização do setor. Durante sua passagem pela Light, criou a Superintendência de Eletrificação de Interesse Regional, responsável pelo programa de eletrificação das favelas do Rio de Janeiro, e a Superintendência de Racionalização Energética. Participou de várias missões de cooperação internacional e de estágio em tarifação pelo custo-marginal na Electricité de France (EDF) em Paris.

De volta à Eletrobrás em 1983, assumiu a função de assistente da Diretoria de Planejamento e Engenharia e a secretaria-executiva do Grupo Coordenador do Planejamento dos Sistemas Elétricos (GCPS). Atuou como coordenador-adjunto dos trabalhos de elaboração do chamado Plano 2010, aprovado como referência básica do planejamento de longo prazo do setor de energia elétrica por decreto do presidente José Sarney em setembro de 1988. Também participou dos estudos de avaliação do projeto de brasileiro-argentino sobre o aproveitamento hidrelétrico de Garabi, no rio Uruguai. Licenciou-se da Eletrobrás em fevereiro de 1988 para assumir a presidência da Companhia de Eletricidade do Rio de Janeiro (Cerj), exercendo o cargo até o final do mesmo ano.

Em fevereiro de 1989, após uma breve passagem na administração pública fluminense como subsecretário de Planejamento e Coordenação do governo Wellington Moreira Franco, retornou à Eletrobrás como diretor de Planejamento e Engenharia. Nesta fase, coordenou a elaboração do Plano Diretor de Meio Ambiente, realizou estudos para interligação dos sistemas elétricos da Bacia do Prata e da região Norte do país com a Venezuela e coordenou estudos de desenvolvimento tecnológico visando à expansão do parque gerador brasileiro, com maior presença na geração térmica.

Em 1991, assumiu a presidência do Comitê Brasileiro do Conselho Mundial de Energia (CBCME). Permaneceu na diretoria da Eletrobrás até agosto de 1992.Nomeado secretário nacional de Energia, renunciou ao cargo em novembro de 1992, no início do governo Itamar Franco, quando passou a integrar a diretoria da BNDES Participações S.A. (BNDESPAR), empresa holding de participações acionárias do BNDES.

Em março de 1993, foi nomeado presidente da Eletrobrás, substituindo o engenheiro Eliseu Resende. Teve participação destacada no processo de saneamento financeiro do setor de energia elétrica e de restabelecimento da adimplência entre as empresas do setor. O problema da dívida entre as concessionárias e destas com a União foi resolvido mediante complexa operação contábil, de acordo com os preceitos estabelecidos nas Leis nº 8.631 e 8.724, promulgadas em março e outubro de 1993. Dívidas da Eletrobrás e suas subsidiárias com grandes empreiteiros, empresas de consultoria de engenharia e fornecedores foram compostas e quitadas, o mesmo ocorrendo com o contencioso de atrasos de pagamentos ao Paraguai, decorrentes da Itaipu Binacional.

Paralelamente ao processo de saneamento financeiro, Alquéres buscou ampliar a liquidez e a base acionária da Eletrobrás. Sua gestão também foi marcada pelo empenho em promover a participação do capital privado na expansão do parque gerador de energia elétrica e por grande expectativa em relação à desestatização das empresas do grupo Eletrobrás. Foi um dos principais idealizadores do Sistema Nacional de Transmissão de Energia Elétrica (Sintrel), instituído em dezembro de 1993, com o objetivo de atrair investimentos privados na área de geração mediante a abertura da malha de transmissão das subsidiárias da Eletrobrás.

Dando continuidade à revisão periódica do planejamento da expansão de longo prazo do setor de energia elétrica, a Eletrobrás concluiu em 1994 o chamado Plano 2015. Alquéres deixou a presidência da holding federal em dezembro de 1994, sendo substituído interinamente pelo engenheiro Mario Fernando de Melo Santos. Aposentou-se da empresa no início do ano seguinte, passando a atuar na iniciativa privada.

De 1995 a dezembro de 1998, foi diretor-executivo da Companhia Bozano Simonsen Comércio e Indústria, uma das empresas do consórcio vencedor do leilão de privatização da Espírito Santo Centrais Elétricas S.A (Escelsa), realizado em junho de 1995. Até o final de 1996 presidiu o Conselho de Administração da Escelsa. Em janeiro de 1999, fundou a JL Alquéres Engenharia Consultiva e, em abril de 2000, assumiu a presidência da Alstom Brasil Ltda., empresa multinacional fabricante de turbinas, geradores, equipamentos de transmissão e de distribuição e material de transporte metroviário.

Foi um dos principais articuladores do consórcio Rio Minas Energia (RME) que, em março de 2006, firmou acordo com a Electricité de France (EDF) para a aquisição do controle acionário das empresas do grupo Light, nomeadamente a Light Energia (geração e transmissão), a Light Serviços de Eletricidade (concessionária de distribuição no Rio de Janeiro) e a Light Esco (comercializadora).

Em agosto de 2006, após deixar a presidência da Alstom Brasil, assumiu o cargo de diretor-presidente do grupo Light, como representante do consórcio RME, composto pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), Andrade Gutierrez Concessões (AG Concessões), Pactual Energia Participações (Pactual Energia) e Luce Brasil Fundo de Investimento em Participações (Luce).

Em junho de 2007, tomou posse do cargo de primeiro vice-presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ). Publicou o livro Petrópolis (2002), ilustrado por Mario Penna Bhering, ex-presidente da Eletrobrás.

BIOGRAFIA ATUALIZADA POR PAULO BRANDI NO ANO DE 2008