A História por trás do documento

Folheto Chesf

Postado em 18/03/20 as 09h41
Editado em 13/10/20 as 12h42
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Destacamos aqui um folheto produzido pela Companhia Hidrelétrica do São Francisco – CHESF, em 1955. O documento apresenta alguns aspectos do aproveitamento hidráulico da cachoeira de Paulo Afonso pela empresa, e suscita o cenário de desenvolvimento e pioneirismo do setor de energia elétrica naquele período. 

Constituída em 15 de março de 1948, a CHESF foi a empresa responsável pela construção do Complexo Hidrelétrico de Paulo Afonso. Com a intenção de ampliar a oferta de energia elétrica aos estados do Nordeste, a Companhia inaugurou em 1955 a primeira usina do Complexo, a Hidrelétrica Paulo Afonso I.

Os estudos preliminares de aproveitamento do potencial hidrelétrico ficaram a cargo do engenheiro Octávio Marcondes Ferraz, junto a outros importantes nomes que atuaram no cenário energético e político do Brasil. O projeto definitivo foi baseado em minucioso levantamento topográfico e em sondagens geológicas da cachoeira de Paulo Afonso e da área vizinha.

Meta de 1.000.000 de kw

Construída junto a cachoeira, no rio São Francisco, a cerca de 250 quilômetros da sua foz no Oceano Atlântico, a usina tinha como meta a produção de 120.000 kw, podendo atingir um aumento gradual de até 1.000.000 de kw.

O documento aponta que essa quantidade de energia seria progressivamente posta a serviço de uma extensa região caracterizada pela escassez de chuvas e pela emigração.

Trata-se da região Nordeste, caracterizada em grande parte pela escassez e, periodicamente pela falta absoluta das chuvas, de onde emigram anualmente milhares de pessoas para o Sul do país, porque a agricultura e a indústria não tem capacidade para rete-las. [...] A presença da energia elétrica abundante vai operar uma radical transformação no Nordeste, permitindo-lhe ter um parque industrial próprio e uma agricultura progressista, ja que esta, em terras secas só se torna possível com o bombeamento dágua e a irrigação. Assim, a energia elétrica será o principal fator de equilíbrio entre as duas regiões do país.


A UHE Paulo Afonso foi considerada um empreendimento pioneiro naquele período e suas obras foram realizadas diretamente pela Chesf. Todo o processo de construção estava a cargo de engenheiros, técnicos e operários da própria companhia, ficando apenas a instalação das linhas de transmissão e das quatro primeiras subestações, sob a responsabilidade de uma empresa norte-americana Morrison-Knudsen.

Desenho sobre o conjunto de obras da Usina de Paulo Afonso

Entre as muitas informações apresentadas no documento, destacam-se os trabalhos sociais e os de viabilidade do transporte e do processo de comunicação durante as obras. A solução encontrada na época para a locomoção segura do maquinário e material foi a organização de uma frota de caminhões, já para a comunicação estabeleceram um serviço próprio de rádio-telegrafia, o que permitiu uma assídua troca de correspondências, ações indispensáveis para manter o ritmo da construção.

Chesf criou uma 'pequena cidade' para abrigar os funcionários

Ainda tentando atenuar as dificuldades de locomoção dos muitos trabalhadores que atuaram no processo de construção de Paulo Afonso I, a Chesf criou uma espécie de "pequena cidade" para moradia de engenheiros, empregados do escritório, mestres e operários, destinados a permanecer no local durante o período de obras e expansão da usina. Com uma população de aproximadamente 4.500 pessoas, foram institucionalizados espaços educativos e assistenciais, como escolas, hospitais, restaurantes, lojas, clubes sociais e igrejas.

Em resumo, o folheto da Chesf é um relevante registro histórico sobre um dos muitos marcos da engenharia nacional, apresentando, em um contexto mais amplo, um pouco sobre a conjuntura político-social brasileira da década de 1950. Assinado por membros da diretoria executiva, o folheto revela parte da história da Companhia e traz informações relevantes sobre o empreendimento, pontuando aspectos importantes do processo de construção e funcionamento da Usina de Paulo Afonso.

Abaixo, estão algumas das imagens que compõe o folheto institucional.

Tomada d’água. Setembro de 1954.