24/10/2016

Pesquisa, memória, difusão de conhecimento e História Oral dominam segundo dia do Preserva.ME 2016

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A preservação e a memória do setor elétrico brasileiro, a difusão do conhecimento gerado pelos acervos das instituições e os desafios com os quais se defrontam os pesquisadores de História Oral foram os temas dominantes do segundo dia do Preserva.Me-2016, realizado no auditório Machado de Assis da Fundação Biblioteca Nacional, nos dias 20 e 21 de outubro.

Na palestra inicial do dia, o historiador Renato de Diniz destacou a formação de novos profissionais que estudem a história do setor elétrico brasileiro por meio do Projeto Eletromemória, desenvolvido pela a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), em parceria com a Fundação Energia e Saneamento, USP e Unesp. Diniz, que participa do projeto, informou que o seu objetivo é mapear o acervo histórico do setor elétrico paulista.  “Estamos formando pesquisadores para estudar a história do setor elétrico nos próximos 30 anos”, disse o pesquisador, que se definiu como “alguém que se preocupa em preservar toda e qualquer documentação referente ao setor, seja ela de biblioteca, de museu ou de arquivo”.

 

Difusão

A segunda palestrante do dia, Maria do Carmo Rainho, pesquisadora do Arquivo Nacional, contou como a instituição tem usado diversos meios para difundir o seu acervo, de modo que a sociedade seja informada e possa saiba o que está de posse do Arquivo, que possui um acervo com 55mil km de documentos textuais, dezenas de fotos, negativos, álbuns fotográficos, caricaturas, charges, cartazes, cartões postais, desenhos, gravuras, mapas, filmes, registros sonoros, livros raros, e entre outros arquivos importantes.

 A profissional destacou a revista Acervo, que, como a Memória da Eletricidade, completa 30 anos em 2016. “Neste tempo todo, ela tem se mantido relevante na divulgação e difusão de fontes, não só do Arquivo Nacional, mas tendo também como foco trabalhos regionais”, afirmou Maria do Carmo Rainho, que também ressaltou a importância do Prêmio Nacional de Pesquisa, cujo objetivo é divulgar as fontes do Arquivo Nacional e tem os trabalhos vencedores editados. “Temos publicado trabalhos muito importantes, de professores universitários, mas também de pesquisadores acadêmicos”, afirmou.

O grande desafio, na opinião da pesquisadora tem sido “ultrapassar as grades do Campo de Santana”, onde fica localizado o Arquivo Nacional. Para superá-lo, Maria do Carmo Rainho revelou que tem utilizado, cada vez mais, as mídias sociais, com a produção de material específico para essa mídia. “Muita gente se sente um pouco intimidados com a arquitetura do Arquivo Nacional, e não entendem muito se aquilo é um espaço aberto ou gratuito. Então acredito que precisamos sair do nosso lugar e investir em ações educativas e aproximativas”, resumiu.

 

História Oral

A parte da tarde do segundo dia do Preserva.ME-2016 foi todo da História Oral. Juniele Rabêlo de Almeida, professora da UFF e pesquisadora do Laboratório de História Oral e Imagem (Labhoi) da mesma universidade, e Luciana Heymann, professora associada da Escola de Ciências Sociais e do Programa de Pós-Graduação em História, Política e Bens Culturais do CPDOC/FGV e vice-presidente da Associação Brasileira de História Oral, falaram sobre o tema de diferentes ângulos.

Rabêlo de Almeida falou sobre as linhas de pesquisa do Labhoi – “Memória, África, Escravidão”, “Memória, Artes, Mídias” e “Memória, Cidade, Comunidades” – e definiu que o Laboratório é focado em ensino, pesquisa e extensão. Para atingir este objetivo, explicou a professora, vem cada vez mais usando a “escrita videográfica”, tendo até um canal no portal de vídeos da UFF, o UFF Tube (clique aqui para acessá-lo).

Já Luciana Heymann realizou reflexões sobre a História Oral como forma de estudar a História contemporânea sem cair nas interpretações generalizantes. “A História Oral vai contra a História única ao recuperar as memórias locais e de tomada de decisão dos sujeitos”, definiu.

Como exemplo desse papel da História Oral, Heymann deu como exemplo um projeto que está sendo finalizado pelo CPDOC e do participou, “Arqueologia da reconciliação: formulação, aplicação e recepção de políticas públicas à violação de direitos humanos durante a ditadura militar”. “Em vários depoimentos, os entrevistados faziam questão de dizer que ia conceder a entrevista, mas que não houvera reconciliação nenhuma na visão deles”, contou a pesquisadora.

Confira aqui as fotos do segundo dia do evento.

 Para Luciana Heymann, a História Oral confronta as interpretações generalizantes dós fatos históricos

Para Luciana Heymann, a História Oral confronta as interpretações generalizantes dós fatos históricos. Crédito: Lamark Morais






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