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A chegada de D. João VI e de sua corte ao Rio de Janeiro (RJ), em 1808, teve importantes consequências, como a abertura dos portos para o comércio de especiarias com as nações amigas, especialmente a Inglaterra. Por isso, durante muito tempo, a economia do Brasil continuou baseada na agricultura. A mineração, apesar das inovações tecnológicas introduzidas por companhias inglesas, entrou em decadência.
Nesse período, a cafeicultura superou as plantações de açúcar e também de algodão, que havia se tornado um grande negócio em algumas regiões do país, sobretudo no estado do Maranhão. O desmatamento de novas áreas para a agricultura e também para a pecuária forneceu para a população brasileira uma enorme quantidade de lenha, que era utilizada para produzir calor, cozinhar alimentos e fundir metais.

Barril para exportação da Fábrica de Chocolates e Café Bhering. 1910. Marcas de Valor

A madeira das árvores foi o principal recurso energético utilizado no Brasil até D. Pedro I proclamar a independência, em 1822. Nessa época, alguns países da Europa já estavam utilizando o gás e o vapor obtido com a queima do carvão mineral para movimentar suas fábricas e iluminar suas cidades. Essas novas fontes de energia térmica, mecânica e luminosa despertaram a curiosidade de alguns empresários brasileiros.
Irineu Evangelista de Sousa, o barão de Mauá, por exemplo, quando viu, em 1835, os barcos a vela e a remo, que faziam o transporte de passageiros pela orla marítima e entre a capital e a cidade de Niterói (RJ), serem substituídos por navios a vapor ingleses, logo iniciou a construção de embarcações a vapor brasileiras. Equipados com caldeiras, os navios do barão utilizavam o carvão mineral importado da Europa como combustível.

Retrato de Irineu Evangelista de Souza, o barão de Mauá. S/d. Acervo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro


O mesmo barão de Mauá, em 1852, iniciou no Rio de Janeiro a construção de uma fábrica de gás, que também utilizava como combustível o carvão mineral europeu. Dois anos depois, seria inaugurado o sistema de iluminação pública a gás da cidade. Na noite de inauguração, o gás, que atravessava 20 quilômetros de encanamentos de ferro, iluminou algumas poucas ruas do centro. As instalações eram modernas e forneceram luz para a cidade por mais de meio século.

 

Fábrica de gás, também conhecida como Gasômetro, na cidade do Rio de Janeiro (RJ). 1971. Acervo Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro

Em 1855, o empresário Cristiano Ottoni organizou a Estrada de Ferro D. Pedro II (atual Estrada de Ferro Central do Brasil), com o objetivo de transpor a Serra do Mar e, depois de dividir-se em dois ramais, seguir para o estado de São Paulo e para Minas Gerais.Três anos depois, em março de 1858, ele inaugurou o primeiro trecho da ferrovia, onde transitavam trens de carga e de passageiros puxados por locomotivas a vapor.

Primeira locomotiva a vapor da Estrada de Ferro D. Pedro II, atual Central do Brasil. Década de 1850. Acervo Museu do Trem

A partir da década de 1860, com a utilização do vapor e do gás, o Brasil cresceu e começou a desenvolver suas primeiras atividades industriais, principalmente a fabricação de tecidos. A chamada indústria têxtil utilizava o vapor proveniente da queima do carvão mineral como fonte de energia, mas isso logo iria mudar, pois, na década seguinte, seriam feitas as primeiras experiências com energia luminosa .





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